Ficha Técnica
Lançamento nacional: 2012
Direção: Phyllida Lloyd
Roteiro: Abi Morgan
Produção: Damian Jones
Elenco: Meryl Streep, Jim Broadbent, Harry Lloyd, Iain Glen, Anthony Head, Olivia Colman, Richard E. Grant, Ronald Reagan, Roger Allam
Distribuição: Paris Filmes
Classificação indicativa: 12 anos
País: Inglaterra
Gênero: Biografia, Drama
Duração: 105 min
O filme da vez é A Dama de Ferro, estrelado por Meryl Streep interpretando a amada e odiada Margareth Thatcher, primeira mulher a ocupar o cargo de Primeira-Ministra britânica durante um período de 11 anos. Confesso que esperava que o foco fosse menos em seus delírios de ver a imagem de seu marido já falecido, porém a ideia até faz sentido. Eu que não gostei muito mesmo...
Uma coisa não se pode negar: Margareth Thatcher estava à frente de seu tempo, não aceitando um lugar limitado à esposa e dona-de-casa, se formando em Oxford (Química) com o apoio de seu pai e trilhando o caminho ao Parlamento, lugar praticamente habitado por homens em sua maioria (no filme aparentemente não há outras deputadas, porém na realidade havia). Enfrentou machismo, mas teve sorte com seu marido Denis Thatcher que sempre soube as condições de Margareth. Denis foi um marido atencioso, aberto à mulher incomum que estava a seu lado.
Uma cena que me chamou a atenção foi quando ela recebe a carta de Oxford e mostra a seu pai. Quando a mãe vem da cozinha, ela estende a carta para sua mãe que recusa a leitura, dizendo algo referente às mãos estarem molhadas. Pode ser que eu esteja viajando, mas achei que ficou subjetivo que talvez sua mãe não soubesse ler e estava disfarçando. Senti que ali Thatcher tenha percebido o quanto ela, como mulher, se distanciaria do papel que sua mãe ocupava, assim como várias outras mulheres em seu tempo. Ainda sobre seu papel como mulher em um mundo machista, Margareth Thatcher sempre foi obstinada, alimentando sua ambição a ponto de se distanciar de seus filhos ainda pequenos, priorizando sua carreira política.
Figura controversa, líder do Partido Conservador, Margareth Thatcher tomou uma série de medidas para conter o desemprego e a situação econômica do país. Essas medidas foram se tornando cada vez mais impopulares, entre elas a flexibilização do trabalho, privatizações e diminuição da influência dos sindicatos. Sua imagem melhorou com a saída vitoriosa do Reino Unido da guerra das Malvinas contra a Argentina, em 1982, seguida de uma melhora considerável na economia. A situação voltou a ficar bem complicada com seu apoio a um imposto comunitário que, resumindo, deixava de ser um imposto proporcional à renda e imóveis, passando a se tornar uma taxa única por habitante, desconsiderando a condição econômica de cada um. A população resistiu como pôde, tornando o plano um fracasso, o que condicionou a falta de apoio para seguir para um próximo mandato e resultando em sua renúncia, em 1990. Thatcher também é lembrada por sua forte resistência à entrada do Reino Unido na União Europeia.
Uma curiosidade é que seu pai, Alfred Roberts, chegou a ser vereador e prefeito independente, porém simpatizante do Partido Liberal. Já Margareth adotou uma postura muito diferente pelo Partido Conservador. Outra curiosidade é que, apesar do Partido Conservador se posicionar contra, Thatcher votou a favor da restauração da sova como castigo corporal judicial, em 1961, e contra o relaxamento das leis de divórcio, em 1967, e como Ministra da Educação, para conter gastos, cortou do orçamento o gasto com leite servido às crianças nas escolas. No entanto, também ao contrário de seu partido, votou a favor da descriminalização do homossexualismo, assim como pela legalização do aborto.
O filme também mostra as manifestações populares contra seus posicionamentos e decisões, além de atentados contra sua vida e de seus colegas, porém há muito mais sobre Margareth Thatcher. Pessoalmente, não compactuo com sua visão político-econômica, mas fica difícil negar o interesse em conhecer a história de uma das personalidades mais marcantes do século XX. E você? O que achou do filme e desta figura que despertou tantos sentimentos contrários?



