quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Documentário - Notícias de uma Guerra Particular


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Produzido por João Moreira Salles e Kátia Lund, foi lançado em 1999. Mostra como vivem moradores, traficantes e policiais na favela de Santa Marta, no Rio de Janeiro. O bacana é que o documentário mostra bem a imparcialidade na exposição desse cotidiano, se baseando em entrevistas com moradores, traficantes e policiais e em dados obtidos junto à Polícia Militar ao longo de 2 anos (1997 a 1999). A ideia é analisar o tráfico, a polícia e a corrupção dentro dela e a posição do Estado com sua política de repressão.
Os moradores do Morro falam sobre a carência de políticas públicas como educação, saúde e de oportunidades. Quando são atendidos pelos traficantes do Morro em suas necessidades básicas, a confiança em quem os atende faz com que haja uma proteção mútua. Para os que conseguiam emprego, havia a comparação de um salário mínimo muito baixo para suprir as necessidades básicas e a possibilidade de ganhar duas vezes o valor no período de uma semana no tráfico de drogas. A falta de assistência do Estado em educação, saúde e oportunidades profissionais condiciona os jovens à criminalidade.
A opinião da moradora Dona Janete mostra o que pensam sobre o impacto do tráfico na favela: “Eles (policiais) andam pelos morros com medo porque a nova geração tem o espirito suicida, não querem saber se irão morrer ou matar, querem proteger a comunidade a qualquer custo. O lado negativo das armas é que os traficantes não querem saber se é morador ou não, se eles puderem matar e esquartejar para todos verem e servir de exemplo eles irão fazer, eles são capazes disso.” Em outro trecho um morador conta que antes do tráfico os policiais já entravam "metendo o pé nas portas" e hoje eles entram com mais cautela. Alguns do jovens que assistem a todo o heroísmo atribuído aos traficantes pela comunidade, decidem desde cedo seus destinos.
No início da década de 90 surge o Comando Vermelho com três finalidades: paz (dentro da cadeira), justiça social e liberdade (sair da presídio, mesmo que em fuga). A ideia era ajudar as comunidades à margem da sociedade e que sofrem com a ausência do Estado.
Deixadas estas lacunas abertas pelo Estado, cabe à polícia controlar a situação. Ganhando pouco mesmo colocando suas vidas em risco, alguns se corrompem com o crime, acobertando ações de traficantes, culminando em episódios violentos com fins trágicos. Grupos de traficantes também acabam sendo mortos justamente para que policiais não sejam descobertos em relação ao envolvimento com o crime. Importante ressaltar que não se trata de todos os policiais, mas que a corrupção de alguns dificulta muito o trabalho de contenção e controle.
Por este lado, conseguimos perceber que o Estado também não supre as necessidades da Polícia que é mal remunerada e mal equipada, precisando de melhor capacitação. Soma-se a isso um sistema prisional que não ressocializa o criminoso e o solta algum tempo depois, renovando o ciclo da criminalidade. Somente a polícia não resolve.
Alguns pontos fortes do documentário: o ex-chefe da Polícia Civil do Rio, Hélio Luz falando sobre a função da polícia de proteger a elite; o casal de moradores contando sobre quando policiais acham objetos de valor como DVD, por exemplo, mesmo com nota fiscal, recolhem afirmando que se é caro provavelmente é roubado; a escola de menores infratores; o final com contraste em os enterros de um policial e de um integrante do tráfico - nessa guerra todo mundo pode morrer.
O documentário é facilmente encontrado na internet, inclusive no Youtube. Deixo também a entrevista recente com Hélio Luz sobre a intervenção no Rio, onde ele aponta a classe média/alta como responsável pelo produto que é a favela: O problema do rio não são os bandidos são os mocinhos diz ex-chefe da polícia civil

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

A Veracidade do Fatos

Resultado de imagem para lados opostosA expressão de opinião baseada em fatos, muitas vezes gera muita confusão, especialmente quando há várias formas de contar uma história. A imparcialidade é algo importante, mas temos que ser realistas quanto a isso: não é tão simples ser imparcial. Naturalmente somos condicionados a determinados pontos de vista de acordo com fatores educacionais, religiosos, sociais e econômicos, para citar alguns. Um fato pode ter mais de uma explicação, pode ser contado de forma diferente e ainda assim ambas podem ser consideradas verdadeiras. No entanto, às vezes uma versão pode ser contada de forma parcial ou sobre a ótica de alguém de forma tendenciosa. Nessa época de eleições é possível ver isso acontecendo. Vou usar a ditadura como exemplo, sem me estender sobre o assunto, pois não é esta a intenção.



Como saber se os fatos são verdadeiros ou se foram contados em sua totalidade para uma opinião melhor embasada? A forma mais segura de saber é comprovando o fato, por mais que a versão inventada pareça mais conveniente ou atraente. Para a História, um fato é considerado comprovado quando há provas, como os documentos históricos. Não vou me aprofundar no tema do exemplo citado, mas é preciso investigar não somente os fatos, mas as fontes. O que aconteceu? Como aconteceu? Quando? O que houve era resultado de quê? Qual a intenção das ações? E o resultado foi o esperado? Por exemplo:

Não é possível afirmar com certeza o momento certo que simbolizou o início da fala humana.  O que existem são teorias e aqui nós vamos observar duas delas. Uma boa introdução ao assunto está nessa matéria da Superinteressante: Desde quando o homem fala?

A primeira visão é de Steven Pinker, cientista cognitivo canadense e professor do departamento de Psicologia de Harvard, também tendo sido diretor do Centro de Neurociência Cognitiva do MIT. Ele defende que a fala é inata ao ser humano e evoluiu conforme as necessidades de adaptação à sobrevivência, principalmente em grupo. Já o americano Michael Tomasello, psicólogo e co-diretor do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva da cidade de Leipzig (Alemanha) que defende que a fala humana se desenvolveu a partir da cognição animal, da comunicação gestual e verbal, sendo ela adquirida, e não inata.

Posso defender a teoria da origem inata da linguagem por se basear no pressuposto de que a inteligência humana é muito superior aos das outras espécies humanas. Por outro lado, devido à evolução da cultura material no processo de hominização, é completamente aceitável que a linguagem possa ter sido adquirida. Neste exemplo, é perigoso afirmarmos qual teoria está certa ou errada, mas podemos considerá-las (pelo menos até o momento), pois são teorias embasadas em pesquisas, muito estudo.

Entendo que nem sempre é fácil reconhecer quando nos equivocamos, tanto pelo narcisismo intelectual quanto pela responsabilidade sobre as consequências de nossas ações praticadas à luz de pré-julgamentos. Mas é preciso humildade e um certo desapego pelo que nos convém. É preciso sair da bolha que vivemos e enxergar outras realidades. Investigue fatos e fontes, analise, questione, reflita. Fica aqui minha breve contribuição.

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Filme-Documentário: A Caverna dos Sonhos Esquecidos (2010)

É com muito carinho que venho falar um pouquinho sobre este filme que assisti somente este ano, mas que foi um bálsamo em meio a tantos estudos sobre História Política (que tem me tirado um pouco a paz, com esta época de eleições). O diretor deste filme é o alemão Werner Herzog, que na verdade tem uma longa lista de filmes, a maioria de ficção. Fazendo uma rápida pesquisa sobre ele, vi que até filmes sobre ele já fizeram. Porém, este foi o primeiro filme que ele fez em 3D. Fico imaginando o entusiasmo dele ao conseguir acesso a essa preciosidade que resistiu ao tempo, graças a um soterramento que facilitou a conservação do local por pelo menos 23 mil anos. 
O filme tem narração do próprio diretor, com gravações surpreendentes do interior da Caverna e entrevistas com especialistas. Tudo de forma clara, detalhada e ordenada. 
Mas deixa eu falar um pouquinho sobre esta caverna. A Caverna de Chauvet foi descoberta somente em 1994 e fica localizada em um lugar de pouco acesso na França, perto de Pont D'Arc, no parque natural de Georges d'Ardèche, a 25 metros de profundidade num planalto de calcário. Somente um grupo muito restrito de cientistas e pesquisadores têm acesso ao local e por isso, podemos considerar Werner Herzog um privilegiado. Diferenças de ar e luz dentro da caverna podem interferir na preservação. Somos também eternamente gratos pelo trabalho lindíssimo, pois graças a ele é possível conhecer o interior da caverna. Em seu interior foram encontrados fósseis e mais ou menos 400 pinturas pré-históricas, de mais de 30 mil anos atrás. A qualidade dos desenhos é impressionante, como por exemplo o desenhos dos cavalos. Como alguém imaginaria tanta técnica em mundo que mal conhecemos ainda, tão distante de nós? Essas técnicas eram passadas de geração em geração? Ou o grupo tinha seu pintor? Alguns especialistas afirmam que muitos destes desenhos foram feitos por uma pessoa só. Nestas indagações e nas descobertas conseguimos enxergar a importância da Arqueologia e de todas as ciências que hoje nos proporcionam maior contato com nosso passado. 
Após ser classificada pela Unesco como Patrimônio mundial da Humanidade, foi inaugurada em 2015 uma réplica da Caverna para visitação na França.
Esse filme é facilmente encontrado na internet, até no YouTube tem. Eu recomendo: pela emoção do contato com o passado, por se tratar de um dos registros humanos mais antigos encontrados até a atualidade, pela sensação de que 30 mil anos não parece tanto tempo quando temos esse contato.
Acho a ideia de procurar saber sobre o local que vivemos também. Aqui onde moro atualmente, no Mato Grosso do Sul, existem os sítios arqueológicos em Alcinópolis: o Sítio Arqueológico Serra do Barro Branco que possui inscrições de milhares de anos atrás, o Sítio Arqueológico Gruta do Pitoco com passagens subterrâneas até chegarmos a várias pinturas rupestres e ao redor na serra há vários vestígios de ocupação humana de aproximadamente 11 mil anos, e o Templo dos Pilares que pode ter sido um lugar de adoração e também possui pinturas rupestres que podem ter sido de 2 a 11 mil anos trás.
As imagens abaixo são da Caverna Chauvet pra vocês terem uma ideia. Um abraço e até a próxima!

Ficha técnica
Nome: A caverna dos sonhos esquecidos
Nome Original: Cave of Forgotten Dreams
Cor filmagem: Colorida
Origem: França
Ano de produção: 2010
Gênero: Documentário
Duração: 90 min
Classificação: Livre
Direção: Werner Herzog


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Dicas de Filmes sobre o Egito

OS SEGREDOS DE SAQQARA Título Original: Secrets os the Saqqara Tomb Ano: 2020 Direção: James Tovell Duração: 113 min Classificação: 14 anos...