
Eu já havia assistido a um filme do Oswaldo Montenegro, chamado Solidões (falarei dele em outro post). Chorei como uma criança e me apaixonei por ele, virei fã. Há uma ou duas semanas atrás eu fui atrás de outras obras e assisti Léo e Bia, outro filme dele - roteiro, direção e trilha sonora. O cara é simplesmente foda. A história é ambientada em 1973 na cidade de Brasília e inspirada em fatos reais. De acordo com a minha pesquisa, o Léo é o próprio Oswaldo e a Marina, uma grande amiga e parceira de trabalho de muitos anos.
Quando assisti tive impressão de que cinema e teatro se misturavam. Cinco meses de ensaio, dez dias de filmagens, um estúdio e vários cenários mudados de forma simples e dinâmica. Eu não entendo muito de teatro, mas consigo enxergar a genialidade de como o filme foi feito.
O filme se passa em meio ao tempo de ditadura onde um grupo de jovens amigos se empenha em fazer e viver de arte. Se juntam num galpão para trabalhar cenas de uma peça escrita por Léo, fazem exercícios, exploram tudo de forma intensa. É empolgante, dá até vontade de ter um grupo assim e de fazer teatro. Cada personagem tem suas particularidades: a personalidade livre e sonhadora, sem muitas pretensões ao estilo carpe diem; a personalidade contestadora, quase pessimista e quase sempre sarcástica; a personalidade do idealista otimista e romântico; da politizada, livre e quer mudar o mundo; a mãe abusiva; a filha refém de sua criação. Inclusive percebi a mãe de Bia como a personificação da ditadura: "A ditadura é uma senhora que tem certeza absoluta." Tudo pela sua segurança, pelo seu bem, como se toda o excesso de vigilância e a repressão se justificasse. Por outro lado, também há referência a relacionamentos abusivos familiares.
A história não tem um final feliz como se espera entre Léo e Bia, mas temos que entender que a história é uma autobiografia, praticamente. E na vida real as coisas nem sempre saem como esperamos. Todos somos um pouco de cada personagem. Algumas falas eu até anotei de tanto que gostei: "Quem não consegue atacar o argumento, ataca o argumentador." e também "Parecer Rapunzel no alto da torre, mas sem jogar as tranças." Esta última sobre a pessoa que precisa ser salva, mas não permite possibilidades.
Fica aqui o link do site do Oswaldo Montenegro que fala sobre o filme: Filme Léo e Bia (2010) E abaixo o trailer do filme. Fico por aqui e peço que compartilhem suas opiniões sobre o filme, ok? Agora falta eu assistir ao Perfume da Memória, que também é do Oswaldo Montenegro. Esse cara é um artista completo!!!
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