terça-feira, 25 de agosto de 2020

Resenha - Série: Coisa Mais Linda

 

Série original Netflix, teve estreia em 2019. A série traz quatro mulheres com histórias e personalidades diferentes como protagonistas, abordando temas que ainda hoje são difíceis, imaginem no final da década de 50! 

Malu é abandonada e roubada pelo marido e tem como sonho ter seu Night Club, porém sem o apoio de seu pai, que se preocupava com a opinião da alta sociedade sobre sua filha ser agora desquitada com um filho para criar. Na segunda temporada conhecemos seu ex-marido enquanto ela vive entre duas paixões sem nos deixar saber aonde isso vai dar. Malu está mais segura e continua usando a inteligência para manter o espaço que conseguiu ocupar.



Lígia é uma mulher de duas paixões, o marido e a música. Porém, sua ilusão de ter os dois em sua vida se desfaz com o comportamento abusivo, violento e inseguro de seu marido que tem como ambição o cargo de prefeito do Rio de Janeiro. Ser uma boa esposa sorridente e bem-comportada aos olhos da sociedade não era compatível com a carreira de cantora, carreira esta que era vista com preconceito, principalmente quando se tratava de mulheres. A história de Lígia é o gancho para um arco muito importante na segunda temporada - uma situação revoltante que mostra como o prestígio e o machismo podem manipular a Justiça.

Adélia já sofria por ser mãe solteira, negra e moradora da periferia, sofrendo racismo em seu trabalho. Ao ser convidada por Malu para ser serem sócias, as coisas parecem mudar e Adélia consegue sentir (ao menos um pouco) o outro lado da moeda. A história de Adélia também é muito bem explorada de forma que a personagem precisa fazer escolhas importantes ao longo das duas temporadas e também vai descobrindo o que realmente deseja.


Thereza é bem resolvida, feminista, bissexual, casada com um homem que a entende e ama de forma recíproca. Porém, há feridas que custam a cicatrizar, além de um drama familiar vir à tona. Thereza, na segunda temporada, segue uma linha que não conseguiríamos imaginar na primeira temporada. Ela é bem humanizada e conseguimos ver que ela também tem seus pontos fracos e seus momentos de desesperança. Mesmo assim, Thereza se mantém forte e firme em seus princípios.

Outra personagem que ganha destaque é Ivone, irmã de Adélia, que se transforma em seu talento musical e personalidade forte. 



Emancipação da mulher, aborto, violência doméstica, racismo e machismo são temas abordados nesta série embalada pela bossa nova, aliás, como as atrizes mesmo dizem, o quinto elemento.


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