quarta-feira, 24 de julho de 2019

Resenha - Filme - Ausência (2014)

FICHA TÉCNICA
Título: Ausência
Gênero: Drama
Direção: Chico Teixeira
Elenco: Matheus Fagundes, Irandhir Santos, Francisca Gavilán, Gilda Nomacce, Thiago De Matos
Duração: 87 min.
País: Brasil
Ano: 2014
Classificação: 14 anos


O filme conta um pouco da rotina de Serginho, um garoto de 15 anos que mora com a mãe e o irmão mais novo. O pai abandonou a família, porém não sabemos o motivo e, talvez, isso não importe. Importa que ele abandonou a família. A primeira cena mostra o pai indo embora e levando consigo boa parte do móveis e eletrodomésticos do apartamento. A mãe é alcoólatra e faz bolos para sustentar a casa. Também não há como saber se o vício em bebidas começou antes ou depois de seu marido ir embora. Serginho está sempre ajudando em casa, tomando conta do irmãozinho, inclusive de sua mãe por conta de seu alcoolismo. Serginho também acorda super cedo para trabalhar na feira com seu tio.
Ele se vê interessado em uma amiga que também trabalha na feira, e compartilha tudo com seu amigo Mudinho (o apelido não é à toa!). Mas é na figura do professor Ney que ele vê a figura paterna que tanto lhe faz falta. Ney o ajuda em algumas tarefas escolares e até abre sua casa para o garoto a cada vez que Serginho entrega compras em seu apartamento. Logo percebemos que Ney não consegue e não deseja assumir o papel de pai de Serginho. 

Importante lembrar que Serginho falta muito na escola e fica simples entender as razões. Sua mãe já o vê como homem crescido, capaz de se cuidar sozinho, sem suprir as necessidades do filho em praticamente nenhum quesito. Seu tio não demonstra nenhum afeto, utilizando o sobrinho como ajuda na feira sem precisar pagar muito (inclusive, Serginho nunca nega dinheiro à sua mãe). Assim, uma série de situações vão acontecendo até que ele sugere ao professor Ney que este o adote. A negativa ao pedido gera uma noção de realidade muito dolorosa para Serginho. 


O circo também é outro elemento que se mostra tanto como uma alternativa que sobra para seguir adiante quanto como sinal de uma infância que não pôde ser vivida. Não vou negar, chorei em algumas cenas. É impossível negar que nossa sociedade fecha os olhos para jovens da periferia e para o trabalho infantil. Aliás, um ponto do filme que achei interessante é que não foi preciso mostrar a criminalidade como alternativa ao um jovem como Serginho. A periferia se movimenta de várias formas e há quem (muitos!) passe despercebido no cotidiano, como pessoas que simplesmente existem, mas que vivem seus sofrimentos e vivem as consequências de etapas saltadas ou mal-vividas. 

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