Que grata surpresa este filme! Entrando na onda de procurar livros e filmes relacionados com profissões antigas, me deparei com A Datilógrafa (Populaire), um filme francês do diretor e roteirista Régis Roinsard. O elenco conta com Romain Duris interpretando Louis - o chefe de espírito competitivo até demais, e Déborah François interpretando Rose Pamphyle - a datilógrafa, nossa protagonista.
A história se passa no fim dos anos 50, quando o destino da maioria das mulheres era casar, ter filhos e ser dona de casa. Rose saiu de sua pequena cidade contra a vontade de seu pai para trabalhar como secretária - a profissão mais moderna para uma mulher na época - emprego este que Rose consegue por ser a mais bonita das candidatas e por sua rapidez na datilografia, mesmo que usando apenas o dedo indicador. Louis a contrata apesar de Rose ser atrapalhada e desorganizada em seu ofício como secretária, porém a meta desse chefe chato e competitivo é treiná-la para que que ela se transforme em uma campeã de datilografia - sim! Existiram campeonatos de datilografia! A mais rápida ganhava!
Rose me ganhou graciosamente! Uma moça à frente de seu tempo, buscando sua independência, ganhar o mundo, sem perder a delicadeza. Em vários momentos do filme aparecem comentários e pensamentos machistas, mas tudo anda dentro do contexto da época. Outro aspecto muito interessante do filme: as máquinas de escrever, como elas foram se desenvolvendo conforme as necessidades de quem mais as utilizava - as mulheres. No filme, a vencedora do concurso até assinava uma linha de máquinas de escrever! E para a época, isso significava muito!
Assim, de forma leve, com uma comédia deliciosa, um romance mamão com açúcar, que o filme acaba ganhando a gente! Com cenários, figurinos e todos os detalhes de época escolhidos com muito bom gosto, não há como não se deixar levar pela obra. Não consegui achar nada forçado. Em minha opinião, tudo fluiu. Preciso assistir mais filmes franceses!




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